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Conde de Saint-Germain

Conde de Saint-Germain

The Theosophist, Vol. II, No. 8, Maio de 1881, pp. 168-170


Em longos intervalos têm aparecido na Europa certos homens, cujos raros dotes intelectuais, conversação brilhante e modos de vida misteriosos têm assombrado e deslumbrado a mente pública. O artigo ora copiado do All the Year Round trata de um desses homens — o Conde de Saint-Germain. Na curiosa obra de Hargrave Jennings, Os Rosa-cruzes, descreve-se outro, um certo Signor Gualdi, que foi um dia a conversa da sociedade veneziana. Um terceiro foi a figura histórica conhecida como Alessandro di Cagliostro, cujo nome foi tornado sinônimo de infâmia por uma biografia católica forjada. Não se pretende agora comparar esses três indivíduos entre si ou com o comum dos homens. Copiamos o artigo de nosso contemporâneo londrino por um objetivo bem diverso. Desejamos mostrar quão baixamente o caráter pessoal é difamado sem a menor provocação, a menos que o fato de alguém ser mais brilhante de mente e mais versado nos segredos da lei natural possa ser interpretado como provocação suficiente para pôr em movimento a pena do difamador e a língua do mexeriqueiro. Que o leitor observe atentamente o que se segue:

"Este famoso aventureiro", diz o escritor do All the Year Round, referindo-se ao Conde de Saint-Germain,

supõe-se ter sido húngaro de nascimento, mas o início de sua vida foi por ele próprio cuidadosamente envolto em mistério. Sua pessoa e seu título igualmente estimulavam a curiosidade. Sua idade era desconhecida, e sua ascendência igualmente obscura. A primeira visão que temos dele é em Paris, há um século e um quarto, enchendo a corte e a cidade com sua fama. Paris assombrada viu um homem — aparentemente de meia-idade — que vivia com estilo magnífico, que ia a jantares onde nada comia, mas falava incessantemente, e com extraordinário brilho, sobre todo tópico imaginável.

Erudito, falando admiravelmente todas as línguas civilizadas, grande músico, excelente químico, representava o papel de um prodígio, e o representava à perfeição. Dotado de extraordinária confiança, ou consumada impudência, não apenas ditava a lei magistralmente sobre o presente, mas falava sem hesitação de eventos de duzentos anos atrás. Suas anedotas de ocorrências remotas eram relatadas com extraordinária minúcia. Falava de cenas na Corte de Francisco I como se as tivesse visto, descrevendo exatamente a aparência do rei, imitando sua voz, maneira e linguagem — afetando por completo o caráter de uma testemunha ocular.

De tempos em tempos, esse estranho ser aparecia em várias capitais europeias, sob vários nomes — como Marquês de Montferrat; Conde Bellamare, em Veneza; Cavaleiro Schoening, em Pisa; Cavaleiro Weldon, em Milão; Conde Saltikoff, em Gênova; Conde Tzarogy, em Schwabach; e, finalmente, como Conde de Saint-Germain, em Paris.

Em Tournay ele é "entrevistado" pelo renomado Cavaleiro de Seingalt, que o encontra numa vestimenta armênia e chapéu pontiagudo, com uma longa barba descendo até a cintura e um bastão de marfim na mão — a caracterização completa de um necromante. Saint-Germain está rodeado por uma legião de frascos, e ocupado em desenvolver a fabricação de chapéus com base em princípios químicos. Estando Seingalt indisposto, o Conde oferece-se para medicá-lo gratuitamente com um elixir que parece ter sido éter; mas o outro recusa, com muitos discursos polidos. Não lhe sendo permitido atuar como médico, Saint-Germain decide mostrar seu poder como alquimista: pega uma moeda de doze soldos, coloca-a sobre carvão em brasa e trabalha com o maçarico. A moeda é fundida e deixada esfriar. "Agora", diz Saint-Germain, "pegue seu dinheiro de volta." — "Mas é ouro." — "Do mais puro."

Existe muito pouca dúvida de que, durante uma de suas residências na Rússia, ele desempenhou um papel importante na revolução que colocou Catarina II no trono. Afinal, quem era ele? Segundo a história contada a seu último amigo, o Príncipe Carlos de Hesse-Cassel, ele era filho de um Príncipe Rakoczy, da Transilvânia. Fora colocado, quando bebê, sob a proteção do último dos Médici. Quando cresceu e ouviu que seus dois irmãos haviam recebido os nomes de Saint-Charles e Saint-Elizabeth, determinou a tomar o nome de seu santo irmão, Sanctus Germanus.

Frederico, o Grande, que, a despeito de seu ceticismo, tinha um estranho interesse por astrólogos, disse dele: "Este é um homem que não morre." Mirabeau acrescenta, epigramaticamente: "Ele sempre foi um sujeito descuidado, e afinal, diferentemente de seus predecessores, esqueceu-se de não morrer."

E agora perguntamos: que sombra de prova é aqui fornecida de que Saint-Germain era um "aventureiro", de que pretendia "representar o papel de um prodígio", ou de que buscava ganhar dinheiro às custas de otários? Não há um único sinal de que ele fosse outra coisa senão o que parecia, isto é, um cavalheiro de magníficos talentos e educação, e possuidor de meios amplos para sustentar honestamente sua posição na sociedade. Ele afirmava saber fundir pequenos diamantes em grandes, e transmutar metais, e respaldava suas afirmações pela posse de riquezas aparentemente ilimitadas e uma coleção de joias de raro tamanho e beleza. "Aventureiros" são assim? Charlatões desfrutam da confiança e admiração dos mais inteligentes estadistas e nobres da Europa por longos anos?

Alguns enciclopedistas dizem: "Supõe-se que ele tenha sido empregado durante a maior parte de sua vida como espião nas cortes onde residia!" Mas em que evidência se baseia essa suposição? Nem uma palavra, nem uma fração de fato para construir essa calúnia infame jamais foi encontrado. É simplesmente uma mentira maldosa. O tratamento que a memória deste grande homem, este pupilo dos hierofantes indianos e egípcios, este perito na sabedoria secreta do Oriente, tem recebido dos escritores ocidentais é um estigma sobre a natureza humana.

Outro ponto deve ser notado. O relato copiado do All the Year Round não dá nenhum pormenor das últimas horas do misterioso Conde ou de seu funeral. Não é absurdo supor que, se ele realmente morresse na época e lugar mencionados, teria sido sepultado sem a pompa e cerimônia que acompanham os funerais de homens de sua posição? Ele passou para fora da vista pública há mais de um século, e no entanto nenhuma memória os contém. Um homem que viveu em tão pleno clarão de publicidade não poderia ter desaparecido, se realmente morresse então e ali, e não deixar rastro. Diz-se que teve uma importantíssima conferência privada com a Imperatriz da Rússia em 1785 ou 1786, e que apareceu à Princesa de Lamballe quando ela estava diante do tribunal, poucos momentos antes de ser abatida com um tiro; e a Jeanne du Barry, enquanto esperava no cadafalso o golpe da guilhotina nos Dias de Terror, de 1793.

Um respeitado membro de nossa Sociedade, residente na Rússia, possui documentos altamente importantes sobre o Conde de Saint-Germain, e para a vindicação da memória de uma das mais grandiosas figuras dos tempos modernos, espera-se que os tão necessários mas perdidos elos na cadeia de sua acidentada história possam brevemente ser dados ao mundo através destas colunas.


Escritos Compilados de H.P. Blavatsky — Volume III (1881)
Traduzido de: "Count de Saint-Germain", The Theosophist, Vol. II, No. 8, Maio de 1881, pp. 168-170

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